Webinar "(Novos) Empregos e a Transição Ecológica"

Webinar "(Novos) Empregos e a Transição Ecológica"

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Webinar “(Novos) Empregos e a Transição Ecológica”

Vivemos hoje num mundo, utilizando a gíria digital, diríamos “connected” e interconectados. Esta conexão não só é necessária nos nossos dias como indispensável. Conexão no sentido de continuarmos a dialogar, a partilhar voz, a criarmos soluções e, sobretudo, criarmos rede e passarmos à ação, assente no objetivo do desenvolvimento sustentável que implica também a relação entre o trabalho e o desafio de criar mais emprego, em termos de quantidade, mas também de qualidade.

Hoje, mais do que nunca, é preciso debater os desafios atuais e futuros do emprego, do mundo do trabalho, e até das profissões.

Todos estamos conscientes que a pandemia da Covid-19 que invadiu o nosso quotidiano, pessoal e profissional, afetou e continua a afetar o emprego e o mundo do trabalho. Na chamada “economia do mar”, numa reação em cadeia, envolveu os seus dois principais pilares: o setor do turismo e das atividades mais diretamente ligadas ao mar, tal é o caso do turismo costeiro. A pandemia não só encerrou hotéis, como afetou as atividades de desporto e de recreio associadas à atividade turística e também fechou os portos aos navios de cruzeiro. Tal como no setor das pescas, da agricultura, tivemos a redução da sua atividade, com quebras significativas ao nível do consumo devido ao encerramento dos restaurantes e dos principais mercados de exportação.

É sobejamente conhecido o peso que estes sectores representam no número de empresas, de trabalhadores e no valor acrescentado bruto que representam para a economia do mar dita “tradicional”. Contudo, e pese embora a crise gerada pela pandemia, esta veio acelerar uma série de mudanças e que poderão ser geradoras de novas oportunidades, presentes e futuras, em atividades económicas consideradas estratégicas e inovadoras, ligadas à economia verde, azul e circular.

O mar é parte da nossa tradição, da nossa cultura e devemos conhecer o que existe no mar e o que este nos pode dar, tirando proveito das suas vantagens de forma responsável.

Assente na tal mudança de paradigma e de modelo económico regional, na Madeira novas áreas estratégicas abrangem um conjunto de setores interligados, com comprovada contribuição para a economia regional e assente também em áreas emergentes com um potencial elevado de desenvolvimento na criação de (novos) empregos e novas profissões.

Para atingirmos mais rapidamente e de forma inequívoca tal desiderato, é imperativo apostar na formação contínua, na formação profissional e na certificação de competências, em processos de reskilling e de upskilling dos desempregados inscritos no serviço público de emprego, mas também dos ativos que estão no mercado de trabalho há muitos anos, para ajustá-los a uma oferta mais diversificada e adequada às necessidades do mercado, direcionada para as áreas estratégicas e geradoras de (novas) oportunidades. Tudo isto só é possível com recurso à formação especializada e certificada. Atualmente as skills transcendem os limites geográficos de um território, são globais, e para ambicionarmos uma Madeira mais desenvolvida temos que apostar de forma inequívoca no aumento de competências das pessoas. É incontornável o papel das universidades e das instituições de formação em relação ao futuro, investindo na pesquisa e na oferta de qualificação profissional capaz de responder à mudança de paradigma, de novos empregos e desta forma contribuir também para a mudança.

A formação profissional, deve ter uma capacidade de resposta ao meio mais imediata e encurtar os intervalos de atualização/de intervenção, isto é, as instituições de educação e de formação têm que reagir mais depressa às necessidades do mercado, sob pena de estarmos a formar pessoas para profissões obsoletas ou que vão deixar de existir no curto prazo. A comunicação permanente entre as universidades, entidades formadoras e as escolas com o mercado de trabalho, com os empregadores, é fundamental, diria mesmo constituir condição sine qua non para o sucesso da competitividade económica e para o crescimento não só do tecido empresarial, como do próprio país. Urge avançar com um ensino superior e profissional alinhado com a visão do País e da União Europeia.

Na Região Autónoma da Madeira, antes da pandemia da Covid-19, a economia crescia e o desemprego diminuía. No 1.º trimestre de 2020, a taxa de desemprego era de 5,6%, abaixo da tx da UE(6,8%) e do território continental português (6,7%).

Com o surto pandémico da Covid-19 tudo mudou. Devido à paragem/redução das atividades do tecido empresarial regional, as empresas começaram a sentir dificuldades financeiras, que associadas à exiguidade da nossa escala de mercado e a uma economia dependente do turismo e serviços associados, necessitaram rapidamente de apoios extraordinários por parte do governo regional. Ainda assim, foi inevitável a trajetória de crescimento da taxa de desemprego, tendo alcançado no 4.º trimestre de 2020, uma taxa de desemprego de 10,7%.

Na Madeira, desde o início do surto pandémico, a prioridade tem sido equilibrar a salvaguarda da vida com a criação dos apoios financeiros necessários ao tecido empresarial e à manutenção de postos trabalhos. Sabemos que, apesar de todas as medidas já tomadas pelo Governo Regional, a recuperação da economia regional será um processo lento e gradual, onde serão necessários mais apoios e medidas adicionais.

A mudança é um dado incontornável. Mas mais do que a simples mudança, importa é saber mudar para acompanharmos os avanços, seguindo a tendência global e tornando a nossa economia mais competitiva. A nossa competitividade hoje será medida pela qualidade e capacidade de fazer diferente em relação aos outros.

Atualmente poderá verificar-se falta de emprego na Madeira, esta é uma realidade à qual não podemos fugir, mas não temos falta de oportunidades. As oportunidades existem no turismo, na cultura, nas tecnologias, em todos os setores da atividade económica regional. O que precisamos é ter um ecossistema preparado para dar à atual e às futuras gerações ferramentas para que possam aproveitar as oportunidades, educando-os, formando-os e criando condições para que imbuídos de espírito empreendedor possam desenvolver projetos empresariais de sucesso.

O desafio envolve todos. Os da esfera pública, da sociedade civil, do setor privado. Que continuemos a trabalhar juntos, alinhados, porque a região é só uma. Trabalhemos em parceria com o quadro de alinhamento dos desafios da União Europeia e da agenda 2030, e preparemo-nos para atentos atuarmos também no novo quadro de apoios comunitários.

Este webinar teve como objetivo a partilha de conhecimentos, experiências, indicadores e de informação relativa a apoios existentes, sobretudo no que ao Instituto de Emprego da Madeira, diz respeito, na área da economia azul e circular. Tout court, foi essencialmente um espaço privilegiado de reflexão e de esclarecimento sobre várias questões e a colocação de outras que terão que ter respostas no futuro.

Abaixo, pode assistir ao Webinar "(Novos) Empregos e a Transição Ecológica" que decorreu no dia 21 de abril de 2021.

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